NUTRIÇÃO BÁSICA DE EQUINOS

Postado em: 01/07/2014

MV: Gerson Franceschini 

Trabalhando há 17 anos dentro do mercado da Equinocultura no Brasil, mais especificamente no segmento de Nutrição Animal, por várias vezes me deparei com algumas frases relacionadas ao cavalo que me levaram a várias reflexões, entre elas:

“Cavalo é um animal muito “fresco”
“Por qualquer razão tem cólica”
“Fácil é tratar de boi ... já de cavalo ... “, entre outras .

E pensando muito sobre isso, passei a me questionar se a “culpa” em relação a isso está relacionada mesmo ao cavalo ou se, na verdade, ele não adquiriu essa fama de forma um pouco injusta.
Digo isso, pois por classificação estamos falando de um herbívoro, monogástrico, com ceco funcional, de hábito de vida nômade e grupal, ou seja, em linguagem mais entendível, um animal que possui apenas um estômago (pequeno diga-se de passagem em relação ao seu tamanho corporal), que digere fibra (volumoso/capim) através de um processo de fermentação microbiana dentro desse ceco funcional, que nasceu para viver solto e em grupo.
Porém na medida em que passamos a utilizar/explorar esse animal em várias atividades (tração, esportes, lazer, etc), essas condições naturais de vida do cavalo, foram sendo, por necessidade, invertidas, confinando os mesmos em áreas menores, exigindo performance atlética e reprodutiva, cobrando um desenvolvimento mais acelerado dos potros, etc. Se somarmos a isso algumas decisões equivocadas de como montar um bom programa nutricional para esses animais que fujam dos parâmetros de segurança relacionadas a fisiologia digestiva dessa espécie, aí sim, certamente as frases acima citadas podem ser fundamentadas.

Importante se faz criar a consciência coletiva de que, para cada categoria (potros em crescimento, éguas vazias, éguas em início de gestação, éguas em final de gestação, éguas em lactação, garanhões em período de monta, animais atletas, etc), existe um requerimento nutricional específico e que precisa ser respeitado para que o animal em questão possa receber os nutrientes que lhe são necessários para expressar o seu máximo potencial dentro da fase na qual se encontra. Lembrando que esses requerimentos são determinados por órgão de pesquisa mundiais tais como NRC, INRA, KER, que levam em consideração dados relacionados ao peso vivo do animal em questão, idade, ganho de peso, estágio reprodutivo, tipo/carga de trabalho, etc.

Ou seja, nutrir uma égua de 500 kg no seu início de gestação é bastante diferente do que nutrí-la na sua fase de lactação. Da mesma maneira, nutrir um animal de trabalho de 500 kg em trabalho considerado leve se faz bem diferente quando esse mesmo animal se encontra em condicionamento intenso de trabalho. Essas necessidades devem ser atendidas de maneira equilibrada, para que não ocorram excessos ou deficiências.
Nesses ingredientes encontramos os nutrientes (Energia, Proteína, Aminoácidos, Minerais, Vitaminas, etc) que deverão, após serem ingeridos, ser absorvidos para depois desempenhar sua respectiva função dentro do organismo animal em questão.

Dentre os ingredientes, a base da alimentação para equinos sem nenhuma dúvida é a volumosa (pastagens, fenos, carboidratos estruturais). Por óbvio, quanto melhor a qualidade e quantidade disponíveis desses ingredientes, maior será o aporte nutricional fornecido por ele e menor a necessidade de excessos complementares.
O concentrado (ração, aveia, etc) bem como suplementos minerais, vitamínicos, entre outros, devem ser sempre encarados como complementos alimentares, aquilo que o volumoso, por limitação natural, não consegue suprir em determinados nutrientes.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                           
As quantidades a serem recomendadas na dieta de cada categoria animal dependerão da qualidade de cada ingrediente disponível para ser utilizado, e com base nessas quantidades deverá ser definido o manejo diário para fazer com que esses ingredientes sejam fornecidos de maneira segura e eficiente, definindo-se número de tratos, horários dos mesmos, sequência correta de fornecimento, etc, tendo como foco principal, respeitar-se a fisiologia digestiva do cavalo que certamente retribuirá esses cuidados com saúde, melhoria de performance e terá a chance de mostrar que as frases atribuídas a ele são verdadeiras quando suas caraterísticas naturais são desrespeitadas. 

 

Gerson Franceschini  - gfranceschini@bakerbro.com

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